Magia Natural

O Sabbat de Litha – Solstício de Verão

Sabbat são as comemorações da Roda do Ano, que marcam as mudanças nos ciclos da vida.

Como são comemorações baseadas nas estações do ano, variam suas datas de acordo com os hemisférios.

Litha é o Sabbat do fogo, que celebra o auge da manifestação plena do Grande Deus e da Grande Deusa. Esta data, no hemisfério Norte, marca o solstício de verão, o ponto mais alto da energia do Sol, o dia mais longo do ano e a noite mais curta. Deste ponto em diante, o Sol apenas diminuirá sua exposição e as noites começaram a ficar mais longas, até chegar ao seu ponto máximo no solstício de inverno, e então a roda iniciará novamente.

No hemisfério Sul, estamos vivendo o solstício de inverno, que seria o Sabbat de Yule. Este é o ponto máximo do inverno, onde a Deusa, já anciã e cansada dos seus longos meses de gestação, chega na hora de parir o seu filho, a criança da promessa, aquela que trará a nova vida para a terra e o retorno do Deus Cornífero (o Deus Verde da Vegetação).

Porém, nosso espírito vibra na mesma frequência da egrégora do Norte, onde o Deus e a Deusa estão no ápice de sua paixão, repletos de possibilidades, encantados um com o outro. A Deusa está grávida, o Deus está em seu ponto máximo de força e a natureza manifesta esse êxtase na exuberância de sua vegetação, flores e frutos. O mundo está repleto de possibilidades. A terra está fértil e frutificando. Este representa o ponto máximo da força feminina e masculina e do poder de cocriação.

Porém, como tudo na vida, este é mais um ponto de transição da roda do ano. A Deusa guarda a promessa dos frutos gerados com seu complemento, o Deus Cornífero, enquanto ele, disputa com seu irmão, o Deus Azevinho, o reinado sobre a Terra. O paradoxo neste ponto da história é interessante pois, apesar do Deus Cornífero estar no auge do seu poder, ele perde a luta para o seu irmão, o Deus do submundo, aquele que trará a escuridão sobre a Terra.

Esta luta simbólica nos ensina que tudo carrega o seu oposto, que em todas as situações a luz e a sombra estão presentes e fazem parte do Todo.

Elas são inseparáveis e necessárias para a criação. A terra não teria condições de produzir frutos tão exuberantes se não tivesse passado pelo inverno, ficado gélida. E, se novamente, o Deus e a Deusa não crescessem em sua paixão, não gerariam novos frutos, muito mais doces, para um novo florecer.

Nós temos uma única escolha a ser feita: aceitar o fluxo da vida, reconhecendo a sua importância e a sua beleza, ou lutar contra a maré e tentar reinventar a roda. A grande questão é: se fizemos o minguar “bem feito”, teremos um grande e belo florescer, no tempo em que ele vier. Este é o paradoxo da vida e a sua beleza: quanto mais aceitamos, mais nos transformamos, mais nos reinventamos, mais evoluímos, mais plenos e felizes descobrimos que podemos ser.

Em todo lodo mora a semente do novo. Em tudo que é pleno, mora a semente do lodo. E assim a vida se constrói, em um eterno fluxo, em uma eterna evolução.

Feliz Litha/Yule para todos!

Abençoados sejamos!

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